Saúde

Retrospectiva e Perspectiva

Ben Franz – Psicanalista

Dezembro é o mês da reflexão. Costumamos elaborar um balanço de
como foi o ano que ora finda e traçar planos para o ano novo que se
aproxima. Em tempos normais, retrospectiva e perspectiva são positivas,
porque quando a nação vive um período de “normalidade” a economia
cresce e a maioria da população tem motivos para estar satisfeita com
as conquistas alcançadas e otimista em relação ao futuro.
A reflexão que faremos em 2017, a exemplo dos três anos anteriores, será
diferente, porque esse ano constituirá mais um ano da crescente
conscientização da nação em relação à podridão moral em que se
encontra. O Brasil, em sua quase totalidade, já terá se dado conta de ter
sido vítima de sistemático e institucionalizado assalto bilionário ao
patrimônio público e do ilusionismo político que, juntamente com
políticas governamentais equivocadas, destruíram a economia,
causaram o desemprego em massa, trouxeram a desesperança diante
da falência moral da nação, e ainda resultaram na polarização da
sociedade, contrastando o “nós” contra “eles”, sendo “eles” a maioria
do povo, que agora deverá arcar com os custos da incompetência
governamental e do festival de ilegalidades constatadas em todas as
áreas que se ousou investigar.
Pior do que encarar a retrospectiva tão nefasta é não ter uma
perspectiva alentadora para o futuro próximo. Quem se apresenta como
líder inconteste para conduzir a nação na busca da moralidade, do
crescimento, da justiça social, enfim, do bem-estar e da esperança? O
ano novo será um divisor de águas, pois a eleição de 2018 terá
importância fundamental no redirecionamento da nação e no resgate
da moral e da ética, mormente na administração pública. O estado de
espírito da nação nesse fim do ano de 2017 é de depressão psíquica
coletiva, de desesperança mesmo, até porque esse líder não é
atualmente identificado e porque já há uma polarização entre as
candidaturas que despontam como prováveis.
A pergunta que os brasileiros devem se fazer é como proceder para não
sucumbir diante do desencantamento que se abate sobre a sociedade.
Ofereço uma sugestão que talvez atenue a incerteza. É preciso fazer
uma reflexão consciente e sistemática ao nível individual. É preciso
perguntar-se, por exemplo:
– Quais foram os eventos mais significativos em 2017?
– O que aprendi em termos de conhecimentos ou habilidades?
– O que realizei, total ou parcialmente? No que fracassei?
– O que agreguei em termos de experiência de vida?
– Como o ano afetou a qualidade da minha vida?
– Qual poderá ser a minha contribuição individual para o bem da nação?
– Como votar “conscientemente”?
Concluída a análise do ano que se encerra, devemos planejar o ano
novo, definindo objetivos e estratégias após identificar os cenários
possíveis a partir da avaliação das probabilidades associadas.
Precisamos também planejar a nossa conduta pessoal e nos perguntar
qual papel queremos desempenhar no palco da nossa vida. Cabe-nos
escrever o “script” do personagem que queremos ser na peça teatral que
é a nossa vida. Trata-se de deixar de viver “ao Deus dará” e domar as
nossas emoções através da racionalidade, visando a viver
“conscientemente” e mais felizes, e em harmonia conosco mesmos.
Deveremos também reavaliar o nosso papel individual em relação à
coletividade, precisamente para que a sociedade seja proativa e não se
torne vítima fácil de desmandos de seus governantes.
Expresso aos leitores meus sinceros votos de um 2018 melhor do que 2017.

Sobre o autor

Ben Franz

Tem formação profissional em Psicanálise pelo IBCP – Instituto Brasileiro de Ciências e Psicanálise, com credenciamento pleno pelo Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo – SINPESP, sob nº 822. É graduado e pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), com mestrado acadêmico obtido na Universidade de Pittsburgh, EUA. Exerceu cargos de assessoria, gerenciais e de direção, em empresas nacionais e estrangeiras, no Brasil, na Alemanha e nos Estados Unidos, entre 1969 e 2004. Além de psicanalista, atua como tradutor trilíngue.

Benno (Ben) Franz Kialka
Tel. 11-9 6398-0825 (cel.Vivo); WhatsApp

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